


Com 20 anos de carreira, o atual diretor de criação da Master Promo, Marcos Minini, conversou com o Tudocom e falou sobre a importância do ponto-de-venda, e como foram as mudanças a partir do momento em que peças promocionais, que eram criadas por diretores de arte tiveram a devida atenção quando esta função passou para o designer especializado em promoção.
Há quanto tempo existe a Master Promo e quais são os principais clientes atendidos hoje?
Minini - A Master Promo foi fundada em 1999. Nossos principais clientes hoje são: TIM Sul, TIM Centro-oeste, TIM SP Interior, O Boticário, Ministério da Saúde, Spaipa (grupo Coca-Cola para PR e interior de SP), Aços Vilares, entre outros.
Fale-nos um pouco da sua carreira dentro do design promocional?
Minini - Gostaria de descartar o rótulo "promocional", por entender que o design deve sempre ser pensado da maneira mais ampla e interdisciplinar possível.
Trabalho com design desde 1988 quando fundei um pequeno estúdio em Curitiba, junto com o Naotake Fukushima, chamado Nova Arte. Desde então fui diretor de criação da MPA Comunicação, sócio da Fusion Comunicação, trabalhei como designer sênior no Lumen Design e em 2000 ingressei na Master Promo como diretor de criação. Nessa nova posição a minha missão era dirigir a criação de Design e Promoção para
a Master Promo e a Master Comunicação.
Foi uma mudança significativa na mentalidade dentro da Master pois anteriormente design e promoção eram também criados por diretores de arte na área de publicidade, que obviamente focavam seus esforços nas campanhas de mídia, cabia a mim portanto dar a devida importância a essas "novas" áreas dentro da estrutura do grupo.
Durante a oficina 4x4 - promovida pelo CCPR em fevereiro deste ano, você abordou a importância de um profissional de arquitetura trabalhar com o designer nas criações de PDV. Qual o principal benefício desta união?
Minini - A importância é de pensar no PDV como uma experiência marcante para o consumidor, em um espaço onde a comunicação de marca seja feita através de todos os elementos e não só através um cartaz ou um diplay. O mobilário, por exemplo, pode ser uma maneira importante de fazer o consumidor se identificar com a marca, a arquitetura externa também. As grandes marcas hoje pensam seus PDVs desta maneira, basta ver a Apple mundialmente ou no caso do Brasil - O Boticário.
Fala-se muito hoje em dia que o publicitário vive num "casulo", ou seja, fica muito tempo dentro da agencia e passa pouco tempo nas ruas, no dia-dia do consumidor. No caso do designer promocional, que precisa mais do que nunca estar e conhecer os pontos-de-venda, isso tambem chega a acontecer? Como funciona o seu estudo de campo?
Minini - Meu estudo de campo e minha vida são a mesma coisa e não há porque separar. Quando vou ao cinema, a um restaurante, a uma loja de roupas ou ao supermercado mantenho-me alerta ao que está acontecendo a meu redor, exercito o meu olhar constantemente. Obviamente quando um projeto exige um estudo específico eu faço, mas mantendo minha curiosidade sempre alimentada. Geralmente não fico no zero.
Hoje, o cigarro é um produto que não pode ser veiculado na mídia, restando aos anunciantes explorar ao máximo os pontos-de-venda. Muito provavelmente, a publicidade de bebidas alcoólicas, em breve, seguirá este mesmo caminho. Será cada vez mais um desafio para os designers para que as peças de PDV não passem desapercebidas? Isso pelo volume de peças que cada vez mais buscarão a atenção do consumidor na hora da compra?
Minini - O PDV é um desafio constante, seja para qual segmento for. É claro que para indústrias que tem verbas gigantes de comunicação e que de um momento para o outro se vêem obrigadas a sair da mídia, o poder de fogo é bastante grande. Repare nas peças de PDV mais bem executadas que você encontra, invariavemente são de cigarros ou bebidas. Mas devemos ter em mente que a diferenciação sempre abre seu espaço, o consumidor gosta de ser tratado com inteligência e bom-humor, a comunicação de PDV que tenha esses ingredientes sempre terá mais atenção.
Como professor da Lemon School, qual a deve ser o perfil dos novos profissionais que serão absorvidos pelo mercado?
Minini - O que procuro ensinar a meus alunos é o exercício constante da criatividade. O profissional criativo pode trabalhar em qualquer área do design, pode dirigir equipes que amplifiquem as suas idéias, afinal, o talento e a inteligência sempre serão privilegiados no mercado de trabalho.
Como está hoje o design promocional brasileiro no cenário mundial?
Minini - Os profissinais brasileiros sempre tem mostrado soluções criativas e inovadoras, acho que é graças à necessidade que temos de muitas vezes executar um projeto em todos os seus níveis – o que acaba nos tornando profissionais mais completos.
