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12 AGO

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Vive la France

Por Zé Henrique Rodrigues


Feiras livres, flores, frutas frescas, frutos do mar, pães, vinho e queijo, muito queijo. Essa cornucópia dos sentidos é apenas uma parte do cotidiano francês.

Ao longo do dia, vemos todos os tipos de transeuntes, dos engravatados às senhoras de cabelo azul, com um buquê de flores em uma mão e um baguete na outra. Ao meio dia as portas de fecham, as pessoas se recolhem e começam os prazeres gastronômicos. Só no sábado ou domingo? Não, de segunda a segunda. Domingo vamos ao shopping. Fechado? Que raio de primeiro mundo é esse?

Recentemente estive lá, no dito país desenvolvido. Lindo. Instigante. Com o passar dos dias e das semanas me impressionei com uma nação extremamente desenvolvida, com tecnologias de ponta, população altamente instruída e um ritmo de vida avesso às loucuras do capitalismo americano.

Os séculos de história certamente ensinaram os franceses a preservarem sua cultura e suas raízes. Acredito que seja uma forma de assegurar a perpetuação da espécie. Mesmo numa grande metrópole como Paris, em muitos momentos nos sentimos deslocados no tempo e espaço. Com seus parques, ruas, boulevards, vielas e arquitetura singular, a sensação é que estamos em alguma cidade do interior ou voltamos alguns séculos no tempo.

Comparar Nova Iorque com Paris é covardia. Na cidade Ianque, as horas passam como segundos. A cidade não dorme. Paris dorme, descansa, acorda devagar e vibra nos momentos certos. Isso não é só privilégio da capital. Nas cidades interioranas e vilarejos é ainda mais evidente o ritmo desacelerado dos locais. Mesmo recebendo 75 milhões de turistas ao ano, a França não se corrompe, não se entrega, se exibe. Mas o que isso tem a ver com design. Parece mais um artigo para a “Próxima Viagem”.

Todo esse cenário se reflete nas artes gráficas. Confesso que o design francês nunca foi uma referência pra mim. Na europa, Inglaterra e Espanha vinham antes na preferência. Contudo, fiquei boquiaberto com o refinamento, delicadeza, bom gosto e limpeza do design francês. As lojas são estupendas. As embalagens superam qualquer expectativa do consumidor, principalmente as de alimentos, categoria mais valorizada pela população. Pode ser um simples azeite de oliva ou até mesmo uma caixinha de balas.

É de ficar louco. Se não fossem os euros, as malas voltariam lotadas de embalagens. Cosméticos então, uma festa. Uma verdadeira orgia para os olhos. Não se vê aquele horror dos modismos usados com descaso, firulas desnecessárias e cópias mal feitas.

A essência original dos franceses mostra-se evidente em todos os cantos. A beleza é preservada, quase como que protegida da voracidade dos tempos modernos. Antiquados? Nem um pouco. Tudo é moderno, intenso, mas com os dois olhos no conceito pátrio.

A nós resta admirar e sonhar com um País menos volúvel às tentações e determinações de outras potências mundiais. Sejamos um pouco mais franceses em nosso design. E como diria a revista “Próxima Viagem”: visite a França.

Zé Henrique Rodrigues

Zé Henrique Rodrigues designer gráfico e especialista em marketing da Brainbox Design, de Curitiba

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