


Por Rachel Sardinha
Ilha da Magia, repleta de belezas naturais, Florianópolis há muito tempo deixou de ser uma cidade aonde as pessoas só passavam as férias. O crescimento demográfico da cidade é claro e, junto com os novos moradores, Floripa ganhou também ares mais cosmopolita, empresas de grande porte e profissionais de diversas áreas que escolheram a Ilha de Santa Catarina para viver. É o caso de muitos publicitários que, oriundos de outros estados, estabeleceram-se em Florianópolis e hoje ocupam posições de destaque em importantes agências de comunicação.
O diretor de criação da Quadra, Alexandre Guedes, que é carioca, chegou na cidade para um freela de dez dias e acabou ficando. Já está aqui há três anos. “Parece mentira, mas nada foi programado. Tinha acabado de retornar ao Rio, vindo de São Paulo, quando surgiu o convite da Quadra para um job. Vim pra Floripa, terminei o trabalho de mais ou menos uns dez dias e retornei ao Rio. Mas não demorou muito, surgiu o convite de assumir a direção de criação da agência”, conta ele. Alexandre lembra que hesitou um pouco, pois tinha acabado de se mudar, estava com uma filha pequena e não sabia como seria trabalhar num mercado menor que o do Rio de Janeiro. “Mas eu e minha família colocamos tudo na balança e resolvemos aceitar o desafio. Já conhecia Floripa e sabia que era uma cidade especial e única”.
Rogério Alves, diretor de criação da Propague, foi outro que veio de fora a convite de uma agência local. Apesar de ser paranaense, ele estava morando em Brusque quando surgiu a oportunidade de trabalhar na cidade. “Ao contrário de muita gente que escolhe Florianópolis para viver, comigo foi diferente. A cidade é que me deu a oportunidade que eu estava procurando no mercado publicitário”, conta ele, que quando chegou na Ilha, em 1994, foi para trabalhar na D/Araújo.
Apesar de os dois terem grandes diferenças em relação ao tempo em que estão na cidade, ambos têm a mesma visão sobre o mercado publicitário de Florianópolis: está em expansão. “O mercado aqui não cresceu tanto quanto deveria, mas as agências ficaram mais preparadas, trouxeram profissionais mais qualificados e esta melhora refletiu nos prêmios que as agências conquistaram, nacionais e internacionais”, conta Rogério. “Essa preparação permitiu que algumas agências passassem a atender clientes catarinenses de grande porte, que antes só contratavam agências de fora”, ele diz, lembrando que o volume do mercado ainda não está como as agências previram há 10 anos. “A economia fez os anunciantes apertarem os cintos e isso refletiu no encolhimento das estruturas do nosso segmento”, completa.
Para Alexandre, é preciso separar o mercado de São Paulo quando se comparam estados e cidades no meio. “São Paulo está num patamar acima dos outros, pela óbvia representatividade econômica. Mas se formos analisar o do Rio de Janeiro em relação ao de Santa Catarina, vemos que o primeiro sofre um esvaziamento econômico contínuo, enquanto que aqui acontece o oposto”. Ele conta que, no Rio, a economia ruim corrói todos os setores produtivos, incluindo o mercado da propaganda, e muitas agências fecharam as portas ou foram forçadas a achatar salários.
“Já em Santa Catarina temos um estado forte economicamente e todos os setores produtivos crescem a olhos vistos. Hoje, profissionais de qualidade já não temem vir pra cá. E isto é ótimo porque gera oxigenação e eleva a qualidade do produto final que é entregue ao cliente”, observa. Mas, infelizmente, para o carioca ainda falta uma união maior do mercado e das entidades que o representam para que o crescimento do mesmo seja mais rápido e gere uma maior troca: “Se muitos profissionais e empresários daqui continuarem com pensamentos tímidos e individualistas, a gente vai ver a economia de Santa Catarina, como um todo, subir de elevador e o nosso setor, de escada”, finaliza.
Rachel Sardinha Jornalista e sócia da Em Voga Comunicação

