Assim como seu predecessor, há 30 anos, o 4º Congresso Brasileiro de Publicidade terá a liberdade de expressão como tema de principal relevância do evento, a ser realizado em São Paulo entre 14 e 16 de julho. Desta vez, o aperto regulatório do governo sobre a publicidade, principalmente de bebidas e alimentos, tem sido alvo da maior preocupação da indústria.
Apoiado por cerca de 30 entidades dos mais diversos segmentos da comunicação, o encontro é liderado pela Associação Brasileira de Agências de Propaganda (Abap). Sob o tema "Criando o futuro" o fórum pretende trazer à discussão os assuntos mais importantes da indústria, no âmbito das agências, meios de comunicação, anunciantes, governo e consumidores.
Quando foi realizado o 3º Congresso, em 1978, o Brasil vivia um clima de afrouxamento da censura, no limiar da Lei da Anistia que seria aprovada no ano seguinte. Esse espírito esteve muito presente no evento, que serviu de palco para o lançamento do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), modelo não-governamental de monitoramento da propaganda que é referência em todo o mundo.
O grande alvo de críticas dos dirigentes neste momento é o Ministério da Saúde, que vem endurecendo as regras de divulgação de diversos produtos. O órgão quer fazer com que os fabricantes informem os níveis de açúcar, sal e gordura em alimentos industrializados a partir do ano que vem. A publicidade infantil também está no radar das autoridades.
"O grande cenário do congresso é a defesa da liberdade de expressão comercial, não somente sobre remédios, bebidas e alimentos, mas de uma maneira mais ampla", diz Dalton Pastore, presidente da Abap e principal liderança do evento.
"O que está em discussão é o seguinte: se esses produtos são ruins para a população, o governo deixa fabricar? O que não pode, então, é falar sobre eles?", critica.
Kofi AnnanPara dar uma nova perspectiva ao tema, o convidado de honra será Kofi Annan, ganense que presidiu a Organização das Nações Unidas de 1997 a 2006 e foi vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2001.
"A presença do Kofi Annan mostra a importância do evento e sua palestra de abertura será muito inspiradora, na medida em que tratará de uma visão muito mais ampla da liberdade no mundo", destaca Pastore.
Remuneração de foraAlém da liberdade expressão, o evento também promete aprofundar a discussões em outros temas próprios da atividade, como uso do marketing integrado, mídias digitais e a valorização da atividade publicitária. O polêmico tema do sistema de remuneração das agências acabou de fora. A avaliação das lideranças é a de que o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp) foi criado com essa finalidade e trazer a questão para o congresso significaria esvaziar o papel dessa entidade. O sistema das normas-padrão foi instituído em 1957, durante o 1º Congresso Brasileiro de Publicidade.
Fonte: Terra